<$BlogRSDUrl$>

2003/06/26

 

ostras 

não sei bem porque é que classificam as ostras como alimento afrodisíaco.

a caganeira não é dos pratos favoritos da minha parceira.

para a próxima levo-a a comer uma sandes de coiratos.
 

ego-gigolo 

confesso: espicaçar gajas alimenta-me o ego.

estive em casa da minha mãe, faz hoje uns dias - mais ou menos - e ela dizia-me que o meu irmão mais novo andava por baixo, que tinha tido uma paixão - coitado do rapaz, desde que enviuvou nada lhe tinha batido forte [entenda-se, bater no sentido platónico da coisa] - e que a fulana o tinha deixado; que andava "só para se divertir".

- Elas são umas tramadas - digo-lhe eu só para fazer conversa, tentando disfarçar a voz de enfado...
- Sim! Filho. Coitado do rapaz! Ele que até andava tão contente ultimamente!
- Oh, mãezinha, deixe lá! Ele arranja outra!
- Filho! Hoje em dia é difícil arranjar uma mulher como antigamente! Vê lá que ele me disse que conseguia arranjar as que quisesse, mas que nenhuma era "verdadeira". Disse ele que bastava só estalar os dedos e era um ver-se-te-avias de mulheres a caírem-lhe aos pés!
- Claro, mãezinha! Isto hoje em dia o que há mais é mulheres carentes!
- Meu Deus! - disse a mãezinha com um ar de espanto chocado - Esta sociedade está perdida!
- Oh mãezinha - digo eu enquanto me levanto do sofá e pouso a TV-Guia - é da solidão que há nas cidades. Elas armam-se em esquisitas quando estão em idade núbil, depois ninguém as quer quando se armam em esquisitas e querem um tipo ajuizado para lhes sustentar as carências!

confesso: espicaçar gajas alimenta-me o ego.

... vou ali pesquisar no gugle coisas sobre "ego-gigolo" e já venho.

 

VD 

VD = Venereal Disease

DV = Domestic Violence

... Até que ponto estarão ligadas?



 
filthy habits

o vento fustiga-me por trás à medida que percorro a estreita viela ladeada de casas altas e onde o Sol só ao meio-dia espreita e lava a imundície crónica de papeis que esvoaçam e plásticos esquecidos que rodopiam nas esquinas. os passos apertados mas rápidos desaparecem atrás de mim, a poucos metros e aproximo-me da porta que, como de costume está entreaberta e deixa entrar a gente que queira bem como o lixo. teimosamente fecho-a atrás de mim com um bater forte e esconchavado que - penso - deverá acrodar o morador gay do rés-do-chão que passa a vida a fumar cigarros à janela a desoras - o inútil!
subo, lance após lance destas escadas onde o pó se mistura com as manchas de gordura pelos degraus já puídos pelo tempo.

hábito de merda: alguns moradores habituaram-se a deixar, fora de horas, os sacos do seu lixo à porta do seu apartamento.

pior: em vez de receberem "postites" na porta a dizer para evitarem esse hábito nojento, conseguem lançar esta ideia em outros moradores que começaram recentemente a adoptar a mesma postura nojenta.

entre pensamentos de: "traço-lhe o saco com um x-ato para ele ver a merda que é quando levar o saco para baixo"; "deixo-lhe um postit a pedir para evitar este nojo"; "arrasto-lhe o saco para juntinho da sua porta para lhe impedir a saída"... sigo a subir as escadas que, a esta hora parecem nunca mais terminar, e vou sorvendo estratos de cheiros da merda que os outros fazem e partilham comigo.

... qualquer dia fodo-os!


 
percorro estas ruas por onde deambulo todos os dias e só em momentos de precisa clarividência - que são muito esporádicos - me dou conta de que cheira mal. deve ser dos que se cruzam comigo. melhor... deve ser do estatuto que produzi, ao longo destes anos, de mim mesmo e, deste pedestal de onde os olho, vejo que, sim!... cheiram mal.

gente porca, imunda!

parceiros da vida e do quotidiano, transpirados e exalando mau hálito, vergam-se perante mim imaginando subserviência subtil. sei que eles querem subir...

A interacção entre membos dos núcleos da sociedade provoca destas coisas... quantas gerações tardará a educar um povo boçal?


This page is powered by Blogger. Isn't yours?